|
A Rússia tem um sistema de educação gratuito garantido para todos os cidadãos pela Constituição,[114] no entanto, o ingresso ao ensino superior é altamente competitivo.[115] Como resultado da grande ênfase em ciência e tecnologia na educação, médicos, matemáticos, cientistas e os pesquisadores aeroespaciais russos são, geralmente, de altamente qualificados.[116]
Desde 1990, a formação escolar de 11 anos foi introduzida no país. A educação estatal em escolas secundárias é gratuita; o "primeiro" ensino superior (nível universitário) é gratuito, mas com reservas: uma parte significativa dos estudantes está inscrito para o pagamento integral (instituições do Estado começaram a abrir posições comerciais nos últimos anos).[117]
Em 2004, a despesa do estado com a educação atingiu 3,6% do PIB russo, ou 13% do orçamento do Estado.[118] O governo aloca fundos para pagar as mensalidades dentro de uma cota estabelecida ou pelo número de estudantes de cada instituição estatal. Nas instituições de ensino superior, os estudantes recebem um pequeno salário e recebem alojamento gratuito.
Energia
Nos últimos anos, a Rússia tem sido frequentemente descrita na mídia como uma "superpotência energética".[120][121] O país tem as maiores reservas mundiais de gás natural,[122] a 8ª maior reserva de petróleo[123] e a segunda maior reserva de carvão.[124] A Rússia é o maior exportador[125] e o segundo maior produtor de gás natural do mundo,[126] ao mesmo tempo em que é o segundo maior exportador[127] e o maior produtor de petróleo do planeta,[128] embora dispute o último estatuto com a Arábia Saudita, de tempos em tempos.
A Rússia é o terceiro maior produtor de eletricidade do mundo[129] e o quinto maior produtor de energia renovável, este último devido à produção hidroeléctrica bem desenvolvida no país.[130] Grandes usinas hidrelétricas são construídas na Rússia Europeia ao longo de grandes rios, como o Volga. A parte asiática da Rússia também possui um grande número de importantes usinas hidrelétricas, porém o gigantesco potencial hidrelétrico da Sibéria e do Extremo Oriente russo permanece largamente inexplorado.
A Rússia foi o primeiro país a desenvolver a energia nuclear para fins civis e construiu a primeira usina nuclear de energia do mundo. Atualmente, o país é o quarto maior produtor de energia nuclear.[131] A energia nuclear na Rússia é gerenciada pela estatal Rosatom Corporation. O setor está se desenvolvendo rapidamente, com o objetivo de aumentar a quota total de energia nuclear a partir dos 16,9% atuais para 23% até 2020. O governo russo pretende atribuir 127.000 milhões de rublos (5,42 bilhões dólares) para um programa federal dedicado à próxima geração de tecnologia de energia nuclear. Cerca de 1 trilhão de rublos (42.700 milhões dólares americanos) deverá ser atribuído do orçamento federal para a energia nuclear e para o desenvolvimento da indústria até 2015.
Ciência e tecnologia
A ciência e tecnologia na Rússia floresceram na época do Iluminismo, quando Pedro, o Grande fundou a Academia de Ciências da Rússia e Universidade Estatal de São Petersburgo e o polímata Mikhail Lomonosov estabeleceu a Universidade Estatal de Moscou, pavimentando o caminho para uma forte tradição nativa de aprendizagem e inovação. Nos séculos XIX e XX o país produziu um grande número de notáveis cientistas e inventores.
A escola física russa começou com Lomonosov, que propôs a lei da conservação da matéria anterior à lei da conservação de energia. As descobertas e invenções russas, em termos físicos, incluem o arco elétrico, a eletrodinâmica lei de Lenz, o grupo espacial de cristais, células fotoelétricas, efeito Tcherenkov, ressonância paramagnética eletrônica, heterotransistores e holografia 3D. Lasers e masers foram co-inventados por Nicolay Basov e Aleksandr Prokhorov, enquanto a idéia de um tokamak para a fusão nuclear controlada foi introduzida por Igor Tamm, Andrei Sakharov e Lev Artsimovich, que acabarão por conduzir o moderno e internacional projeto ITER, da qual a Rússia é parte.
Desde o tempo de Nikolai Lobachevsky (um "Copérnico da Geometria", que foi pioneiro na geometria não euclidiana) e do proeminente professor Pafnuty Chebyshev, a escola matemática russa se tornou uma das mais influentes no mundo.[133] Entre os alunos de Chebyshev incluem-se Aleksandr Lyapunov, que fundou a moderna teoria da estabilidade, e Andrei Markov, que inventou as cadeias de Markov. No século XX, matemáticos soviéticos, como Andrei Kolmogorov, Israel Gelfand e Sergei Sobolev, fizeram grandes contribuições para várias áreas da matemática. Nove matemáticos russos/soviéticos foram agraciados com a Medalha Fields, prêmio de maior prestígio na matemática. Em 2002, Grigori Perelman recebeu o primeiro Problemas do Prémio Millenium por sua prova final da Conjectura de Poincaré.[134]
O químico russo Dmitri Mendeleev inventou a tabela periódica, o quadro principal da química moderna. Aleksandr Butlerov foi um dos criadores da teoria da estrutura química, desempenhando um papel central na química orgânica. Biólogos russo incluem Dimitri Ivanovski, que descobriu o vírus, Ivan Pavlov, que foi o primeiro a experimentar o condicionamento clássico e Ilya Mechnikov, que foi um pesquisador pioneiro do sistema imunológico e probióticos.
Muitos cientistas russos e os inventores eram emigrantes, como Igor Sikorsky, que construiu os primeiro aviões e helicópteros modernos; Vladimir Zworykin, muitas vezes chamado de o "pai de TV"; o químico Ilya Prigogine, conhecido por seu trabalho sobre estruturas dissipativas e sistemas complexos; os economistas vencedores do Prêmio Nobel Simon Kuznets e Wassily Leontief; o físico George Gamow (autor da teoria do Big Bang) e o cientista social Pitirim Sorokin. Muitos estrangeiros trabalharam na Rússia por um longo tempo, como Leonard Euler e Alfred Nobel.
As invenções russas incluem a soldadura desenvolvida por Nikolai Benardos, além de Nikolai Slavyanov, Khrenov Konstantin e outros engenheiros russos. Gleb Kotelnikov inventou o paraquedas de mochila, enquanto Evgeniy Chertovsky inventou o traje pressurizado. Alexander Lodygin e Pavel Yablochkov foram os pioneiros da iluminação elétrica e Mikhail Dolivo-Dobrovolsky introduziu os primeiros sistemas trifásicos de energia elétrica, amplamente usado hoje. Sergei Lebedev inventou a primeira borracha sintética comercialmente viável e produzida em massa. O primeiro computador ternário, Setun, foi desenvolvido por Nikolai Brusentsov.
As realizações da Rússia no domínio da tecnologia espacial e exploração espacial têm origem nos trabalhos de Konstantin Tsiolkovsky, o pai da austronáutica teórica.[135] Seus trabalhos inpiraram os principais engenheiros de foguetes soviéticos, como Sergei Korolev, Valentin Glushko e muitos outros que contribuíram para a sucesso do programa espacial soviético nos estágios iniciais da corrida espacial e também posteriormente. Em 1957, o primeiro satélite artificial em órbita da Terra, o Sputnik 1, foi lançado; em 1961, a primeira viagem humana ao espaço que teve êxito foi feita por Yuri Gagarin; e muitos outros recordes da exploração espacial soviética e russa se seguiram, inclusive com a primeira caminhada espacial realizada por Aleksei Leonov, o primeiro veículo de exploração espacial, o Lunokhod-1, e a primeira estação espacial, a Salyut 1. Atualmente, a Rússia é o país que mais lança satélites no mundo[136] e é o único fornecedor de serviços de transporte para turismo espacial.
No século XX, um número de proeminentes engenheiros aeroespaciais soviéticos, inspirado nas obras fundamentais de Nikolai Zhukovsky, Sergey Chaplygin e outros, criaram centenas de modelos de aeronaves civis e militares e fundaram uma série de KBs (Serviçõs de Construção) que passaram a constituir a maior parte da russa United Aircraft Corporation. Entre as famosas aeronaves civis russas incluem os Tupolevs, Sukhois e aviões de combate Mikoyan, séries de helicópteros Kamov e Mil; muitos modelos de aeronaves russas estão na lista dos aviões mais produzidos da história.
Entre os famosos tanques de batalha russos incluem-se o T-34, o melhor tanque da Segunda Guerra Mundial,[137] e tanques adicionais de série T, incluindo o tanque mais produzido na história, T-54/T-55.[138] O AK-47 e AK-74, por Mikhail Kalashnikov, constituem o tipo mais usado de fuzis do mundo, tanto que rifles do tipo AK foram mais fabricados do que todos os outros rifles de assalto combinados.[139]
Com todas estas conquistas, no entanto, desde a dissolução da União Soviética, o país ficou atrasado em relação ao ocidente em uma série de tecnologias, principalmente aquelas relacionadas à conservação de energia e produção de bens de consumo. A crise dos anos 1990 levou à redução drástica do apoio do Estado à ciência e a uma "fuga de cérebros" da Rússia.
Nos anos 2000, na onda de um novo boom econômico, a situação da ciência e tecnologia na Rússia tem melhorado e o governo lançou uma campanha destinada a modernização e inovação. O presidente russo, Dmitry Medvedev, formulou 5 principais prioridades para o desenvolvimento tecnológico do país: uso eficiente de energia, informática (incluindo os produtos comuns e os produtos combinados com a tecnologia espacial), a energia nuclear e os produtos farmacêuticos.[140] Atualmente a Rússia está a terminar o GLONASS, o único global sistema de navegação por satélite além do GPS estadunidense, e construindo a primeira usina nuclear móvel.
Transportes
O transporte ferroviário na Rússia está, na maior parte, sob o controle do monopólio da estatal Ferrovias Russas. Os lucros da empresa respondem por mais de 3,6% do PIB da Rússia e trata 39% do tráfego de carga total (incluindo gasodutos e oleodutos) e mais de 42% do tráfego de passageiros.[141] A extensão total das vias férreas comumente usados ultrapassa os 85,500 km,[141] perdendo apenas para os Estados Unidos. Há mais de 44.000 km de linhas eletrificadas,[142] a maior rede do mundo e, adicionalmente, existem mais de 30.000 km de linhas de carga não-comum. As ferrovias da Rússia, ao contrário da maioria do mundo, usam de bitola larga de 1,520 mm, com exceção de 957 km na ilha Sacalina, que tem bitola estreita de 1.067 mm. A estrada de ferro mais famosa da Rússia é Transiberiana (Transsib), abrangendo um recorde de 7 fusos horários, sendo o terceiro mais longo serviço contínuo do mundo, depois dos serviços das linha de Moscou-Vladivostok (9,259 km), Moscou-Pyongyang (10,267 km)[143] e Kiev-Vladivostok (11,085 km).[144]
Em 2006, a Rússia tinha 933,000 km de estradas, dos quais 755.000 eram pavimentadas.[145] Algumas destes compõem o sistema de auto-estradas federais russas. Com uma grande área de terra a densidade de estradas é a menor de todos os países do G8 e do BRIC.[146]
102,000 km das vias navegáveis na Rússia vão, na maior parte, por rios ou lagos naturais. Na parte europeia do país, a rede de canais faz ligação com as bacias dos principais rios. A capital da Rússia, Moscou, é às vezes chamada de "o porto dos cinco mares", devido à sua ligação com a hidrovia para o Mar Báltico, Branco, Cáspio, Negro e Azov.
Os principais portos da Rússia incluem o Rostov do Don no Mar de Azov, o Novorossiysk no Mar Negro, Astrakhan e Makhachkala no Cáspio, de Kaliningrado e São Petersburgo no Báltico, Arkhangelsk, no Mar Branco, Murmansk, no Mar de Barents, Petropavlovsk-Kamchatski e Vladivostok, no Oceano Pacífico. Em 2008, a marinha mercante do país tinha 1.448 navios. A única frota do mundo de quebra-gelos nucleares avança a exploração econômica da plataforma continental do Ártico e o desenvolvimento do comércio marítimo na Passagem do Nordeste, entre a Europa e a Ásia Oriental.
Pelo comprimento total de gasodutos, a Rússia possui a segunda maior rede do planeta, atrás apenas da dos Estados Unidos. Atualmente, muitos projetos de novos gasodutos estão sendo realizados, incluindo os gasodutos Nord Stream e South Stream, que levarão gás natural à Europa, e o oleoduto ESPO, para o Extremo Oriente Russo e China.
A Rússia tem 1.216 aeroportos,[147] sendo o mais movimentado Sheremetyevo, Domodedovo e Vnukovo, em Moscou, e Pulkovo, em São Petersburgo. O comprimento total das linhas aéreas na Rússia ultrapassa os 600,000 km.[148]
Normalmente, as grandes cidades russas têm sistemas bem desenvolvidos e diversificados de transportes públicos, sendo as variedades mais comuns de veículos os ônibus, trólebus e bondes. Sete cidades russas, Moscou, São Petersburgo, Nizhny Novgorod, Novosibirsk, Samara, Ecaterimburgo e Cazã, têm sistemas de metrô, enquanto Volgogrado possui um metrotram. O comprimento total de metrôs na Rússia é de 465,4 quilômetros. O Metrô de Moscou e São Petersburgo são os mais antigos da Rússia, inaugurados em 1935 e 1955, respectivamente. Esses dois estão entre os sistemas de metrô mais rápido e mais movimentado do mundo e são famosos pela rica e única decoração de suas estações, que é uma tradição comum em metrôs e ferrovias russas. |